História das Massas Alimentícias  

Conta-se que foi Marco Polo que introduziu as massas em Veneza. Contudo, muito antes disso, no século V A.C., os Gregos já se alimentavam de uma mistura de farinha com água, seca ao sol e posteriormente cozida em água. Ainda hoje persistem dúvidas e vários países afirmam ter criado este alimento.  

Ao longo dos tempos, a massa tornou-se num alimento cada vez mais popular, e, no século XVIII, a cidade de Veneza viu abrir a primeira fábrica de massas, seguida de Parma, que alguns anos depois lhe seguiu os passos. As inovações tecnológicas desta época possibilitaram que se produzisse massa mais eficientemente e a um custo mais baixo, o que contribuiu para que as massas se tornassem um produto ainda mais popular.  

É inquestionável que Itália seja o país da massa por excelência, pois o povo italiano deu um grande impulso à projeção mundial das massas alimentícias. São um marco na gastronomia italiana, graças à sua capacidade de atingir a textura de “pasta al dente” preferida para os seus pratos, e, por conservarem a consistência adequada após cozedura. 

Devido à sua simplicidade e características únicas, rapidamente foram adotadas por todo o tipo de culturas gastronómicas nos quatro cantos do mundo, sem esquecer Portugal, onde as massas desempenham um papel de relevo na cozinha tradicional. 

 (https://www.milaneza.pt/tudo-sobre-as-massas/

Diferentes Tipos de Farinha dão Resultados Diferentes  

Poderíamos pensar que, qualquer cereal, que pudesse ser moído em farinha, poderia ser usado para fazer massas alimentícias. No entanto, propriedades do trigo duro como, a dureza do grão, o tipo de glúten menos maleável e elástico, conferem características inigualáveis às massas cruas e secas, como a cor, a resistência, a durabilidade, e, uma estrutura coesa e integra após cozedura, que fazem com que este cereal seja a escolha lógica para o fabrico das massas alimentícias. 

Existe uma grande diversidade de massas alimentícias disponíveis para o consumidor, que podem divergir no seu grau de humidade (secas ou frescas), forma (compridas ou cortadas) e composição (simples ou compostas), embora a matéria prima de todas elas seja a sêmola – produto resultante da moenda do trigo duro.  

Na produção de massas alimentícias é também possível, adicionar farinha de trigo mole à sêmola de trigo duro, no entanto, as massas obtidas são de qualidade inferior. Procure sempre massas alimentícias produzidas com 100% de sêmola de trigo duro. 

Outros produtos similares (mas não idênticos) são os noodles (produzidos a partir do trigo mole), muito consumidos sobretudo nos países asiáticos, e, as massas isentas de glúten (produzidas sobretudo a partir de milho). Apesar do seu aspeto ser semelhante, não possuem as características organoléticas das massas alimentícias obtidas a partir do trigo duro: integridade, coesividade, rigidez, ausência de pegajosidade e sabor. 

Massas Alimentícias Secas  

As massas secas que encontramos no nosso supermercado são produzidas a partir da sêmola de trigo duro, após mistura e amassadura com água, extrusão (prensagem + corte) e secagem (faseada até cerca de 10% de humidade). Este modo de processamento permite que o armazenamento destes produtos possa ser realizado à temperatura ambiente e por um longo período de tempo. 

Podem ser de muitas formas, tamanhos e por vezes de cores diferentes, mas na sua essência estes produtos são muito idênticos em formulação.  

De entre as massas longas, o esparguete, a lasanha, o talharim, a aletria, o linguine e o fettuccine são as mais conhecidas. De entre as massas cortadas, o macarrão, o macarronete, o cotovelo, a espiral, a hélice, o laço ou a concha, são algumas das formas que o consumidor tem à sua disposição. Existem ainda as massinhas, massas mais pequeninas, também de diferentes formas: estrelinha, pevide, letra e cuscus. 

Além de saborosas, as massas são muito versáteis, combinando na perfeição com vários tipos de ingredientes.  

Massas Alimentícias Frescas  

As massas frescas são produzidas a partir de sêmola de trigo duro, por um processo semelhante ao das massas secas, mas onde a secagem é parcial, ficando as massas com cerca de 30% de humidade. Podem ser feitas em casa ou adquiridas no supermercado, mas ao serem frescas, possuem tempos de prateleira bastante inferiores às massas secas, o que obriga a refrigeração.  

A popularidade destas massas tem aumentado por uma questão de diferenciação, sabor e rapidez de preparação. Normalmente requerem pouco tempo de cozedura, são mais elásticas e menos consistentes. A sua textura mais suave, funciona melhor com pratos mais simples, onde o foco é a massa em si, e não tanto o que a acompanha.   

 Massas Alimentícias Compostas 

Para além das massas alimentícias simples existem massas alimentícias compostas, ou seja, enriquecidas com ingredientes legalmente autorizados como ovo, sal, alguns extratos de vegetais, vitaminas e fibras. A adição de outros ingredientes visa alterar o sabor, cor e/ou características nutricionais. 

As massas integrais são uma dessas variantes. Contêm sêmolas integrais, ou seja, trigo duro, e por vezes outros cereais funcionais, moídos sem sofrer o processo de refinação (separação das camadas externas do grão). Deste modo, são conservados todos nutrientes naturalmente presentes nesses cereais, e em particular, a fibra. 

São um produto cada vez mais popular pela sua riqueza nutricional, já que relativamente às massas tradicionais, possuem um elevado teor de fibra, benéfico na prevenção de inúmeras doenças, redução do colesterol e/ou glucose no sangue, com a consequente redução do risco (prevenção) de doenças coronárias e diabetes do tipo 2. A fibra alimentar também ajuda a controlar o peso do organismo, principalmente pela indução da sensação de saciedade. 

Receita Simples usando Esparguete  

Spaghetti Aglio e Olio 

Este prato, bastante conhecido da cozinha italiana, veio de Nápoles e destaca-se devido à sua simplicidade e foco na qualidade dos ingredientes escolhidos. 

Ingredientes 

1 embalagem de esparguete  

4 colheres de sopa de azeite extra virgem 

6 dentes de alho, fatiados finamente 

1/4 colher de chá de pimentão em pó 

1/4 chávena de salsa picada 

Sal a gosto 

Queijo parmesão ou pecorino ralado para servir 

Instruções 

  • Aquecer numa panela de água com sal até ferver. Adicionar o esparguete e cozinhar até estar quase “al dente, durante cerca de 9 minutos. Reserve 2 chávenas da água da cozedura. Drene o esparguete e ponha de parte.  
  • Aqueça 3 colheres de azeite numa frigideira em lume médio-baixo até começar a ouvir o azeite a crepitar. Adicionar o alho e o pimentão em pó e cozinhar até alourar o alho, entre 2 a 3 minutos. Remover do fogão.  
  • Adicionar à frigideira a água da cozedura posta de parte e deixar aquecer em lume médio-alto. Deixar cozinhar até metade da água se evaporar, cerca de 5 minutos.  
  • Adicionar o molho ao esparguete e envolver até este cobrir completamente a massa, 1 a 2 minutos.  
  • Retirar do fogão, misturar a salsa e uma colher de azeite, e envolva a massa nestes ingredientes.  
  • Sirva imediatamente polvilhado com queijo ralado a gosto.  


Na 40ª Assembleia Geral do Clube Português dos Cereais de Qualidade

No dia 31 do mês de Maio deste ano, decorreu a 40ª Assembleia Geral do Clube Português dos Cereais de Qualidade. O “Agrupamento…Procereais” foi o responsável pela organização deste evento e recebeu os restantes membros nas suas instalações.

O ponto de encontro ocorreu nos silos da ex-EPAC em Fronteira – local onde agora a Procereais armazena os seus cereais – para um momento de convívio antes de dar início às atividades do dia.

Visitaram-se diversos campos de sócios da Procereais, visita essa que terminou na Torre de Frade em Santo Aleixo, sede da exploração agrícola familiar do Presidente da Assembleia Geral do Clube Português dos Cereais de Qualidade – Fernando Carpinteiro Albino. Foi feita uma pausa para almoço e para a degustação de diferentes pães elaborados a partir da farinha de cereais produzidos no Alentejo.

Após essa pausa, deu-se início à Assembleia Geral e respectiva ordem de trabalhos.

Esta edição da Assembleia Geral foi particularmente simbólica, visto que celebrou várias datas importantes na história do cultivo de cereais nesta zona do país.

 A exploração agrícola da Torre de Frade por fim renasceu das cinzas, após a ocupação a que esteve sujeita devido à reforma agrária de 1979. 40 anos depois, volta a apresentar-se viva e dinâmica, com toda a família envolvida e empenhada no seu sucesso.

Passaram-se também 33 anos desde que foi feita a primeira reunião entre industriais de moagem e produtores nacionais de cereais promovida pelo então Ministro da Agricultura Eng.º Álvaro Barreto. Como resultado desta reunião, saiu da Torre de Frade o primeiro camião com trigo para venda no mercado livre, pondo termo ao monopólio do mercado detido pela EPAC na altura.

Celebraram-se os 20 anos do Clube Português do Trigo Duro, hoje dos Cereais de Qualidade, que serviu e continuará a servir para o reforço das relações interprofissionais de toda a fileira.

Por último, foi feita a apresentação oficial da nova marca e iniciativa registada pela ANPOC, Cereais do Alentejo. A Cereais do Alentejo reúne cinco organizações de produtores portugueses; Procereais, Cersul, Cooperativa agrícola de Beja e Brinches, Cooperativa agrícola de Beringel, Globalqueva) e o seu objetivo é a valorização da produção nacional, afirmar o valor dos cereais do Alentejo e dinamizar a fileira dos cereais.

A sessão de lançamento da Cereais do Alentejo contou com a presença de Luís Capoulas Santos, Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e representantes dos vários setores da fileira cerealífera, bem como algumas individualidades que marcaram o passado e o presente do setor. Cereais de Qualidade. Do lado da indústria e da distribuição marcaram presença a Germen, Ceres, Fábricas Lusitana, Maltibérica, Central de Cervejas, grupo Delta, Gleba e a entidade certificadora Certis.

Glúten, Herói ou Vilão?

Certamente já terá ouvido falar no glúten, e se não sabia muito bem o que era pode ter ficado com uma impressão negativa do mesmo.

Nos últimos anos este tipo de proteínas encontrado em diversos cereais tem sido “demonizada” pelo público em geral e associada a todo o tipo de maleitas, desde o desconforto digestivo, a problemas de articulações, a acne, etc.

A recente explosão mediática à volta do glúten fez com que muita gente deixasse de o consumir sem saber bem porquê, e criou-se a ilusão de que alimentos sem glúten são mais saudáveis.

O que diz a ciência em relação ao glúten? Será assim tão mau para o nosso organismo? Será que consumir apenas alimentos sem glúten é a melhor opção?

O que é o Glúten e onde Encontrá-lo

O glúten é constituído por um grupo de proteínas que podemos encontrar em diversos cereais como o trigo, a cevada e o centeio. É comum em alimentos como o pão, as massas alimentícias, a pizza, a pastelaria diversa, as bolachas, as papas para bébés e os cereais de pequeno almoço. Quando estas proteínas são hidratadas e amassadas forma-se uma rede viscoelástica – GLÚTEN, de aspeto elástico, flexível e viscoso, típico das massas formadas a partir das farinhas de trigo. Esta rede é responsável pela estrutura final de muitos produtos que consumimos no nosso dia a dia.

Porque é que o Glúten é Considerado pouco Saudável?

A ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos à doença celíaca desencadeia uma reação imune que causa uma inflamação crónica na mucosa do intestino delgado, com repercussões na absorção de vários nutrientes como o ferro, ácido fólico, cálcio e vitaminas lipossolúveis.

Estima-se que cerca de 1% da população mundial nasce com esta predisposição genética. Nestes casos, uma dieta isenta de glúten é fundamental para eliminar a inflamação e controlar os sintomas.

Também existem reações alérgicas ao glúten, com sintomas que vão desde manchas vermelhas e comichões, a vómitos e a situações mais graves como a anafilaxia.

São assim tão Comuns as Reações Adversas ao Glúten?

Estas reações ao glúten existem em pessoas com predisposição genética, mas a maioria das pessoas não as tem.

Vários estudos indicam ter havido um aumento da incidência desta doença desde a 2ª metade do século XX nos EUA e na Europa, que parece estar associada a uma maior eficiência dos meios de diagnóstico disponíveis e a uma alteração nas dietas e no estilo de vida dos países ocidentais. Aspetos como a exclusão da amamentação, a introdução precoce de produtos contendo glúten na primeira fase da infância, o elevado consumo de glúten per capita (quer de modo direto, quer na forma de aditivos frequentemente utilizados em alimentos processados e outros produtos), parecem ser apontados como principais causas deste incremento.

A associação do glúten a sintomas de desconforto digestivo como inchaço, dores de barriga e diarreia após o consumo de alimentos com este tipo de proteínas passou a ser frequente.  Vários estudos científicos foram desenvolvidos para comprovar se o glúten era sempre a origem deste tipo de sintomas e verificou-se que existem efetivamente algumas pessoas com intolerância a alimentos com glúten, mas também existem outros componentes que podem provocar esse tipo de sintomas.

É o caso deum tipo de hidratos de carbono de cadeia curta FODMAPs – Fermentable Oligo-Di- Mono-saccharides And Polyols.Estes FODMAPs são encontrados em vários alimentos  como a fruta, os vegetais, as leguminosas e os laticínios, sendo incrivelmente empobrecedor eliminar todos esses alimentos de uma dieta.. Recomenda-se assim muita atenção aos alimentos específicos que provocam esse desconforto para que só se evitem mesmo esses.

Essa sensação de desconforto  também pode ocorrer devido ao consumo excessivo de alimentos processados com açúcares adicionados.

 Quais são as Vantagens e Desvantagens de uma Dieta sem Glúten?

Quaisquer alterações drásticas à nossa alimentação podem ser um risco, e eliminar o glúten sem provas concretas de que este faz mal não é exceção.

Se não tiver indicações médicas que prescrevam a realização desse tipo de alterações na alimentação, arrisca-se a não ter resultados, provocar outros transtornos e gastar mais dinheiro.

Muitos consumidores acham que uma dieta isenta de glúten é mais saudável porque ouviram dizer, mas na verdade alimentos sem glúten contêm menos ferro e outro minerais, fibras, ácido fólico e outros nutrientes importantes, sendo nutricionalmente e organoleticamente mais pobres.

Também têm tendência a ser mais processados, a ter maior teor de açúcares e gorduras. Vários estudos indicam que uma dieta isenta de glúten pode contribuir para o aumento de peso e obesidade, mesmo no caso dos celíacos. Além de serem uma opção mais dispendiosa que os alimentos normais com glúten, existem poucas evidencias científicas de que realmente sejam mais saudáveis

Há ainda a destacar o importante papel que o glúten desempenha na alimentação e nutrição mundial. É uma fonte proteica vegetal de fácil acesso, que se não existisse, traria consequências nutricionais ainda mais nefastas para os países menos desenvolvidos.

de trigo a massa

As massas alimentícias são bastante apreciadas na cozinha, podendo ser confeccionadas de diversas maneiras.

Havendo uma variedade de massas cada vez maior, quer em termos de formas (penne, fusilli, linguini, gemelli, farfalle, gnocchi, …) quer em termos de sabores (com vegetais, com multi-cereais, integrais, com e sem glúten, …), é importante conhecer a origem da matéria prima que lhes dá origem – os cereais.

E neste artigo, vamos falar-lhe de… trigo.

Os cereais possuem um papel importante na alimentação humana, uma vez que são fonte de nutrientes e fibras. Por isso, o trigo é um dos cereais mais produzidos mundialmente, ocupando o primeiro lugar em volume de produção. E, devido ao seu conteúdo em glúten, um complexo agregado de proteínas elásticas que permitem que tenha uma vasta utilização gastronómica, é usado numa grande diversidade de produtos.

Curiosidade sobre o trigo

Sabia que?

  • vários tipos de trigo (mole, duro, espelta, kamut, …);
  • todos os trigos têm glúten (tal como a cevada, o centeio e a aveia);
  • os trigos moles são mais usados para a indústria da moagem e panificação (em bolachas, tostas, cereais de pequeno almoço ou produtos de pastelaria);
  • os trigos duros são usados essencialmente para a produção de sêmolas (por ex: para couscous ou boulgour) e massas alimentícias.

massa alimentar

E para o consumidor que gosta de saber um pouco mais, deixamos-lhe no quadro seguinte, alguma informação sobre estes trigos, quais as suas caraterísticas e como se diferenciam entre si:

Tipo de trigo Nome vulgar Nome científico Caraterísticas botânicas

Curiosidades

 

 

 

Mole

Trigo comum ou mole  

Triticum aestivum L.

 

Possui espigas com seção quadrada e aristas longas, curtas, divergentes ou nulas. O grão tem a superfície de fratura baça e farinácea. É o trigo mais utilizado para o fabrico de uma enorme gama de produtos: pão, bolachas, pastelaria diversa, usos culinários, cereais de pequeno almoço, alimentos infantis, etc. Pode possuir diferentes teores de glúten com diversas características que se adequam à gama de produtos para que é utilizado.

 

Trigo espelta Triticum aestivum spp. spelta (L.) Thell Possui espigas finas e com a espigueta terminal pontiaguda. Cada espigueta contém dois grãos, que ficam contidos nas glumas ou cascas após a debulha.

 

 

Conhecido como trigo “rústico” ou trigo vermelho, é um dos trigos mais consumidos por quem procura seguir uma alimentação à base de produtos biológicos. Adequa-se a este tipo de agricultura devido à sua resistência a doenças e pragas, bem como às condições climatéricas adversas. A necessidade de remover a casca e o menor rendimento/ha tornam a produção desta espécie mais cara que a do trigo mole.

Pode ser utilizado em panificação, fabrico de massas ou cereais de pequeno almoço, embora a sua aptidão tecnológica seja bastante inferior à do trigo comum.

Nutricionalmente é bastante completo possuindo maior teor proteico e lipídico que o trigo comum, mas menor teor de fibra total e insolúvel. Possui uma elevada digestibilidade e um sabor bastante agradável.

É ainda uma excelente fonte de minerais como o fósforo, ferro, magnésio e potássio e de vitaminas do grupo B.

 

Duro Trigo duro Triticum turgidum (L.) spp. durum Desf. Possui espigas compactas, geralmente eretas, de aristas compridas não divergentes. O grão é duro, de cor amarela intensa e apresenta uma superfície de fratura vítrea. O sabor é agradável e tem excelentes qualidades de cozimento, pelo que é essencialmente usado na indústria das massas alimentícias.

É também utilizado como matéria prima para o fabrico de diversos produtos típicos de alguns países: couscous (Norte de Africa), boulgour (Turquia), pães de reduzido volume (Mediterrânio e Ásia Ocidental), injera (Etiópia) ou firik (Norte de Africa e Médio Oriente).

 

Trigo kamut® Triticum turgidum var. turanicum (L.) Possui espigas com longas aristas e o grão tem o dobro do tamanho dos trigos duros modernos, apresenta coloração âmbar e vítrea. É muito rico em proteínas e minerais, especialmente selénio, zinco e magnésio.

Como o selénio é um poderoso antioxidante e o seu conteúdo é tão elevado, 2 ou 3 porções diárias deste trigo podem proporcionar 100% da dose diária de selénio recomendada.

Devido ao seu alto conteúdo em lípidos, que produzem mais energia para o corpo que os hidratos de carbono, este trigo pode ser chamado de “cereal com muita energia”.

Trigo duro, uma estrela na cozinha

Dadas as caraterísticas do trigo duro, ele é realmente uma estrela na cozinha, pois com ele podemos obter diversos tipos de massas alimentícias e outros produtos muito típicos de alguns países:

  • boulgour – é usado com maior frequência na cozinha do médio oriente, mas também na cozinha indiana e mediterrânica. Para produzir o boulgour, os grãos de trigo são parcialmente cozidos, secos ao sol, e por fim são partidos. Assim, o seu tamanho depois de partido varia, assim como a sua cor. É normalmente usado para as refeições principais.
  • couscous – é bastante mais conhecido e vulgarizado que o boulgour. É normalmente produzido a partir da sêmola do trigo duro. Habitualmente usado na cozinha árabe, está cada vez mais difundido por todo o mundo. É também utilizado nas refeições principais.

Curiosidade sobre o trigo duro

Sabia que?

  • Em Portugal, existe um grupo de investigadores que se dedica ao estudo de variedades de trigo duro que tenham qualidade de excelência (https://valorizacaotrigoduro.pt/#top);
  • este Grupo Operacional, pretende selecionar variedades que sejam reconhecidas pela indústria;
  • o objetivo principal deste GO é a valorização de trigo duro, para o fabrico de massas alimentícias nacionais.

A apoiar este Grupo de trabalho, está um conjunto de entidades ligadas à investigação, à produção e à indústria. Assim, criam-se sinergias entre os vários setores de atividade e se promova a agricultura nacional.

Neste contexto, e dado que as grandes searas se encontram na região do Alentejo, e que a qualidade do trigo duro que delas sai é reconhecido como “excelente”, a marca de massas alimentícias Nacional, deu o primeiro passo ao lançar produtos da sua gama com a sub-marca ‘Alentejo’.

Ainda tem dúvidas?

Dedique-se à cozinha e com(prove) com esta receita!

cimeira agricola

Lisboa recebe no próximo dia 29 de outubro, a Cimeira Nacional da Inovação na Agricultura.  

Este evento, é uma iniciativa conjunta do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural (MAFDR), da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) / Rede Rural Nacional (RRN), do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), da INOVISA em colaboração com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), a Agência Nacional de Inovação (ANI) e o APMEI – Agência para a Competitividade e Inovação.

De acordo com a Parceria Europeia de Inovação para a Produtividade e Sustentabilidade Agrícolas (PEI-AGRI), a execução de projetos inovadores assenta na criação de Grupos Operacionais (GO) que reúnam agricultores, investigadores, associações e empresas dos setores agrícola, agro-alimentar e florestal e outras partes interessadas. 

Sabia que, os GO?

  • são parcerias constituídas por entidades de natureza pública ou privada;
  • têm como finalidade ligar a investigação realizada na área agrícola à prática de campo;
  • pretendem responder a problemas concretos ou oportunidades que se coloquem à produção;
  • têm em vista a produtividade e sustentabilidade agrícolas.

Nesta Cimeira, pretendem reunir-se todos os parceiros de projetos dos GO, bem como de outros projetos de inovação, tendo como principais objetivos:

  • potenciar sinergias entre equipas e a rede de networking entre parceiros quer dos GO quer de outros projetos (H2020, FCT, PT 2020, LIFE, …), que trabalham temas de comum interesse, dando ênfase às seguintes questões:
    • o que já está feito?
    • o que falta fazer?
    • discutir e contribuir para a Agenda do MAFDR para a Inovação.
  • promover o intercâmbio de boas práticas;
  • identificar desafios comuns e explorar potenciais soluções;
  • mostrar linhas orientadoras para a inovação do setor no futuro.

Haverá ainda espaço para a “Atribuição do Prémio da Inovação – Caixa Agrícola”, a Mostra de start-ups – PT e a Apresentação dos Centros de Competências.

Durante a Cimeira Nacional da Inovação na Agricultura, o MAFDR divulgará todos os projetos dos GO aprovados em Portugal, agrupados por 5 setores principais:

  1. Horticultura e Fruticultura
  2. Viticultura e Olivicultura
  3. Cereais e Leguminosas
  4. Produção Animal
  5. Florestas

recorrendo quer a apresentações orais, vulgo pitch, que terão a duração de 3 minutos quer a pósteres.

Tendo em conta o setor cerealífero e a indústria que lhe está associada, os trigos duros são usados essencialmente para a produção de sêmolas e massas alimentícias.

Assim, um dos GO presentes tem-se dedicado ao estudo da “Valorização de trigo duro de qualidade superior para o fabrico de massas alimentícias”, de modo a obter matéria prima de qualidade para que o produto final seja de excelência.

massas

Sabia que?

 

  • este GO seleciona, identifica e testa variedades de trigo duro, que sejam não só melhores opções agronómicas, mas que satisfaçam também os requisitos da indústria;
  • com os estudos deste Grupo, pretende-se aumentar áreas e produções, substituindo as importações por produção nacional.

Fique a par do trabalho deste Grupo Operacional, através do site: https://valorizacaotrigoduro.pt/

Ajude-nos a divulgar o que de melhor se faz em Portugal, em termos agrícolas!

 

massa portuguesa

Um sonho antigo dos produtores de cereais do Alentejo foi concretizado, com o apoio da Nacional, uma reconhecida marca portuguesa de massas alimentícias.

Consciente da qualidade do trigo duro proveniente das searas de Brinches, Beja, Beringel, Ferreira do Alentejo e Elvas, esta marca que já conta com 165 anos de história, produziu uma edição limitada de cerca de 500 toneladas de pacotes de massa, em dois formato distintos: linguine e gemelli, com a sub-marca ‘Alentejo’.

Este projeto, que está carregado de simbolismo e que se quer diferenciador, incorpora mais uma novidade pois a massa será produzida em molde de bronze, o que lhe confere uma rugosidade e caraterísticas únicas.
esparguetemassa tortelini
Esta aposta da Nacional, reflete uma ligação de proximidade que se quer cada vez maior, entre os produtores de cereais do Alentejo e a indústria, e que só foi possível graças ao esforço conjunto de várias entidades ligadas quer à produção quer à investigação, onde se destacam para além da Cerealis – empresa que detém a marca Nacional:

  • a CERSUL – Agrupamento de Produtores de Cereais do Sul, S.A.;
  • a ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Cereais;
  • o IPBeja/ESA – Instituto Politécnico de Beja/Escola Superior Agrária;
  • o INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária;
  • a Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches;
  • a Cooperativa Agrícola de Beringel;
  • a Globalqueva;
  • a Procereais;

De modo a garantir-se a qualidade a que a marca Nacional se impõe, a rastreabilidade deste produto final, foi assegurada pela Certis, Lda., um organismo independente de controle.

Sabia que?

  • segundo o INE, a área semeada de cereais tem diminuído desde há cinco anos a esta parte?
  • prevê-se que na campanha deste ano, se atinja um mínimo histórico de 121 mil hectares, a menor área dos últimos cem anos (desde que existem registos sistemáticos)?

Face aos dados anteriores, em que a produção de cereais em Portugal tem vindo a decrescer, esta parceria com a Cerealis*, um dos mais importantes grupos agroalimentares portugueses, mostra-se essencial para o reconhecimento deste setor, e um estímulo particular para o Alentejo, o maior produtor de cereais do país.

* Este grupo transforma anualmente mais de 440 mil toneladas de cereais, sendo os seus produtos comercializados nos 5 continentes.

O Grupo, que é líder nas massas alimentícias e nas farinhas industriais, também está presente no mercado com farinhas para usos culinários, cereais de pequeno almoço e bolachas. Milaneza, Nacional e Harmonia, são três das principais marcas que a Cerealis coloca à disposição do consumidor.

O primeiro passo está dado!

Cabe agora também aos consumidores estarem atentos a estes novos produtos, que promovem e acrescentam valor, ao que de melhor se faz no nosso país.

Nós já experimentamos…

Do que está à espera?

Que características terá que ter um trigo e a sêmola que origina, para se transformar numa massa apreciada pelos consumidores?

Enquanto os trigos moles são mais usados para a indústria da moagem e panificação, os trigos duros são usados essencialmente para a produção de sêmolas e massas alimentícias.

No entanto, a cultura dos trigos duros tem tido um declínio drástico nos últimos anos devido a vários fatores:

  • instabilidade da duração, frequência e intensidade dos stresses abióticos (hídricos e térmicos);
  • irregularidade interanual na produção;
  • qualidade deste tipo de trigo na região mediterrânica;

que poderão conduzir ao abandono desta cultura, com importantes consequências sociais, económicas e ambientais.

 

É urgente, apostar-se num produto de qualidade superior, que se diferencie pelas suas características e cumpra sempre as especificações da indústria.

 

Nesse sentido, com o objetivo de promoção da inovação no setor agrícola nacional no quadro da Parceria Europeia para a Inovação (PEI) para a produtividade e sustentabilidade agrícola, foram criados alguns Grupos Operacionais (GO) que:

  • são parcerias constituídas por entidades de natureza pública ou privada que se propõem desenvolver um plano de ação visando a inovação no setor agrícola;
  • em cooperação, desenvolvem esforços para realizar projetos de inovação que respondam a problemas concretos ou oportunidades que se coloquem à produção;
  • contribuam para atingir os objetivos e prioridades do Desenvolvimento Rural, nas áreas temáticas consideradas prioritárias pelo setor tendo em vista a produtividade e sustentabilidade agrícolas.

Tendo em conta este contexto e reconhecendo a função que este cereal desempenha na agricultura portuguesa e que deverá ser preservada, surgiu o GO que se vai dedicar ao estudo da “Valorização de trigo duro de qualidade superior para o fabrico de massas alimentícias”.

Deste Grupo Operacional, cujo objetivo principal é resolver de forma integrada os problemas da produção, orientando as soluções encontradas para o mercado nacional, fazem parte as seguintes entidades:

INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária;

IPBeja/ESA – Instituto Politécnico de Beja/Escola Superior Agrária

FCT/UNL – Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa

ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Cereais;

CEREALIS – Produtos Alimentares S.A.

CERSUL – Agrupamento de Produtores de Cereais do Sul, S.A.

COTR – Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio

Sociedade Agrícola da Herdade de Torre de Curvo, Lda.

Mercoguadiana

EspiralPixel, Unip. Lda.

uma vez que se afigura de vital importância, a cooperação entre os vários setores – investigação, produção e indústria.

 

De forma mais específica, este Grupo de trabalho, vai orientar as suas ações no sentido de:

  • Selecionar – variedades de trigo duro de excelente qualidade, que sejam reconhecidas pela indústria;
  • Identificar – as melhores opções agronómicas visando a otimização das produções e do valor de utilização das sementes, mas potenciando, de forma sustentada, os fatores de produção, nomeadamente água e azoto;
  • Testar – os fatores que contribuem para o teor elevado em cinzas nos trigos duros produzidos em Portugal (variedade, solo e adubação);
  • Controlar – as principais doenças que afetam esta espécie.

 

Com estes estudos, pretendem disponibilizar aos agricultores e/ou às suas associações, a informação técnica necessária para que possam produzir a médio prazo:

  • com um menor número de variedades de trigo duro, mas fornecendo à indústria lotes homogêneos e de elevada qualidade;
  • aumentar áreas e produções, substituindo as importações por produção nacional;

de modo a reforçar-se a fileira produtiva.

Agora que já sabe um pouco mais sobre a produção de massas alimentícias, opte pelos produtos nacionais.

Incentive a agricultura portuguesa!

Pode acompanhar-nos em https://www.valorizacaotrigoduro.pt